sábado, 28 de agosto de 2010

Um.

- Você ouviu?
- O que era? Uma sirene? Deve ser a usina!
- Não, você não ouviu direito. Era uma criança chorando.
- Impossível! Não temos crianças há tempos.
- Mas eu ouvi. Tenho certeza de que há uma criança por perto.
- Mulher, isso deve ser vertigem do ar seco. Tome logo o tubo de oxigênio.
- Mas eu ouvi. Tenho certeza de que ouvi. Era tão doce! Lembrei-me de minha irmã caçula, quando pequenina! Ah, que doce!
- Trate de dormir, querida. E não se esqueça do tubo. Daqui a pouco acreditará também em árvores, passarinhos e outras coisas absurdas.

3 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Uma porrada.

roselee salles disse...

Lindo,(s)dramático e,tragico....e falta pouco para sair do surreal e ser real....
Acabei de conhecê-lo e estou amando seus escritos em especial os minicontos.

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Olá Roselee!

Fico feliz que esteja apreciando os meus escritos. Seja bem vinda e volte sempre!

Abraço!