sábado, 9 de outubro de 2010

Feito criança

Entardecia. Atravessávamos a rua de mãos dadas, mudos e absortos.
O entardecer de Belo Horizonte tem essa magia, esse dom de emudecer.
Ela decidiu quebrar o silêncio com seu delicioso sotaque paulistano:
- Não sei o porquê, mas todas as vezes que atravesso essa rua, ouço essa sirene tocando!
- Cigarra!
- Ã?!
- Não é uma sirene, meu amor. É uma cigarra!
Ela riu, feito criança.
Entardecia, mas parecia aurora.