quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

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Quando ele se foi, um filho ficou com o relógio dourado. Outro, com o velho blusão.

Uma filha recolheu a saudade no remorso de uma discussão besta que, para a sua tristeza, não teve tempo de ser resolvida. As demais tragaram a adolescência cerceada do seu amor.

Uma irmã que vivia distante pediu um par de óculos que, embora ultrapassados,ele teimava em usar.

Alguém que não me recordo levou o terno preto.

Muitos carregaram, ainda, um monte de outras coisas, menos as fotografias, a energia que ainda pulsa pela casa e a aliança, que ela meteu no dedo junto daquela que usava desde 1967, quando se uniram felizes numa igrejinha de Ferros.

Fariam bodas de prata no mesmo dia em que ele partiu: 25 de fevereiro de 1993.

O relógio, o blusão, o terno preto, o inconfundível par de óculos e outros objetos diversos foram consumidos pelo tempo, ou pelo desleixo.

Há dezoito anos, no entanto, que ela carrega as duas alianças, lembranças gravadas na alma e na carne, lágrimas e outros frutos que ainda brotam, vez que outra, daquele amor inatacável.

2 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Nossa conversa pelo MSN rendeu um belo texto, hehehe.


Abração.

Lilian Santana disse...

A vida é cheia de Saudades.

Bjos